Wednesday, February 20, 2013

Um paredão; ou espelho de ossos



Ou então aquele que, perdido no assortimento de seu próprio pudor, não visa mais que empreender espera ao que vai respirar somente à chegada da luz sublime aos olhos, ao que ela se extende, a derrama como bálsamo por sobre as mãos, quando em melhor caso deveria a ter mantido enquanto unguento aos ossos febris.


De volta dos confins dos anos 00, tudo estava no 00 até o estalar do fim do mundo, abstrato ou real, não só foi real para muitos mas o asbtrato ridículo para outros fez com que se tornasse ainda mais real, entenda-se, o medo e o ridículo pertencem à mesma esfera da realidade. José Saramago foi escritor visceral, explícito ao real, hora de suas palavras militante, hora regenerador do infinito, escapista em suas noções magnetizantes da víscera que pulsa ao mental, à fantasia do concreto.

...Porque ouço a trovoada no horizonte direito, e logo que a vaga de som me chega, assim como aquele pequeno aglomerado de pássaros se desprende como gota d'água que se estala, os olhos que atentos ao ar estão suficientes percebem a tênue vibração no ar e distorção temporal provocada por ele, em direção ao horizonte esquerdo, aonde, a árvore mais bonita da vizinhança, hoje tomada por ervas de passarinho tremefica. São mais dez segundos até que a chuva cai desprendida e a partir dali é só ela.