Wednesday, July 15, 2009

Ode ao embrulho moderno

 I

Vede ao avesso, verso o creme. Breu amigo de todos, amigo do turba, do muão, da luna e do lucão. Bruno chamuscando na neve, picolé de farofa, sem banana. Vê dois pastéis e um chopp. Vê dois chopps e um pastel. Vê três cremes e um paletó, para a corrida. Asfalto perene ingrato, faz do meu dia uma corrida, minha manhã torta e vencida, flutuei em ti, sonho irrisório.

II

Tive uma morena. Cabelo bruno. Esse era o solo. Uma planície que caberia na palma dessa mão, tal eu a conheci. Uma história breve de ser contada, num longo tempo vagamente vencido. Cogumelo roto que represento, brotou daquele ano, regado pela chuva que salpicou o local do abraço, em abrigo. Poucas vezes vira seu rosto, muitas outras quis. A prisão da tela branca ao devaneio, sem mentiras e com extremo esforço, uma junção se fez súbita, espontânea e perfeitamente autêntica, não fosse a falha cognitiva. Não havia o que se queria. Não adiantaria a procura. Havia sim, a espera. A esperança se construiu pela vontade, e num paradoxo, se desfez sem sua criação.

III

Pardo alvedo, bruno em bruno, duro, em prumo
Leve meu levêdo, puro ou azedo, têso em grumo.
Sartre sabia, não haverá mais lugar, calor e fumo
À tocaia do vento, ventre em desespêro, desarrûmo.

IV

Hora passa e vento foge, queres meu relógio? Canso de contaminar-me, prego aos arroios, riso a volúpia. Um matrimônio enfanto, em linha torta.
Brisa mecânica, queres me degustar? Sou quente e tenho sabor delicado. Encherias tua bôca de areia por mim? Queres o satâ envolto em sêda branca, apregoado de belos liláses e dobras envaidecidas. Assim canta ele os mais doces meles em menção maldiva, derrama açúcar refinado em tuas bochechas, com amor.

V

Uma dança de nove linhas
Uma linha em três novelos.
No chão de madeira trepidam
Sombreada cúpula de pitangueiras.

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