Monday, October 22, 2012

Sopro

Renasce em ti, aurora, e no peito, espada de cristal.
Que sorte terão os sábios, os cristos, pela lufada
Do juízo próximo, que Não tão final, mas assim,
Sepulcra os motivos para viver hoje; então,
Podereis escutar os sinos alados da injúria,
A razão toda que foge, dando sentido
À fonte primária do amor e entendimento
Os sentidos confrontam o movimento,
Barram a velocidade, represam o vento!


Lúcio: Meu corpo de macho injuriado! Meus passos sem sentido! Que pudera eu, caminhar em meio aos sons da natureza, tendo comigo a intensidade das prestezas, sem a frequencia da incerteza, com suspiros sem fim!

Alastor: Qual, Lúcio! E não lhe direi igualmente, que vejo cada bolha de ar do velho peixe, cada fio de cabelo da vigorosa dama, cada sopro de ar teu, com ternura única? E então a luz me atinge plena, cada gota de suor, amanciada, resplandece no cerume deste solo vil? Meu peito nú é minha roupa tênue. Meu altar é minha cozinha, meu jardim, meu encanto! Se algum dia nascer pobre, que pelomenos tenha isso, poderei viver sem roupas! Por que praguejar, deixa-te irromper! É o que te vale, é o que te pulsa! Se não pode ser assim, te cozinhas em caldo de escárnio. Oh, então... Deixa a musa vir, aquele sopro circunstancial que enebria, quando tudo em volta, oh, enfastia, enfastia!

Amarildo: O que vos faz salivar? Se vos falta saliva na boca, é porque já acostumaram-se em não ter o alimento correto. Assim seguirão, com lisura? Neste sonho no qual o desespero infiltra, permaneceis calados?

Lúcio: O pequeno Telos costuma gritar em frente do ventilador. Reparte-se em mil. Não escapamos, a tangenciar, não detemos à atenção mútua. Os algozes: em alvoroço embriagado; os anjos suam frio. Um resplendoroso copo d'água ao novo rico, o brócolis de plástico em mesa de cristal. E o óleo tirado da lâmpada vai alimentar o sal, e uma lata de lixo, o seu final.

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