Sunday, May 17, 2015

- parte -

O copo, este, era diferente a cada superfície que entremeava. Sabe-se do primeiro copo que jamais existiu fora para oferecer algo a outro, e não para si. Ele estabelece o princípio da celebração.Destes tempos enfim, o significado não transmuta-se a toa. Se divide para um momento de virar poeira. Tudo caminha para um final, que é seu novo começo, fato que não é novidade nem surpresa. No entanto, neste jogo humano pode-se caminhar sem consciência. Quando o executar é uma ordem, ser fica em segundo plano. Bom, não basta isto. Outros planos já foram colocados em segundo plano, sobrepondo-se, é uma ordem do executivo, um entreposto do sonhar. Está-se ali, sendo em algum plano não se sabe onde. Erguem-se os copos noite após noite. É para levar algo novo à boca. Executar. Alguém viu a influência do punhal? E um terceiro copo. A matéria sutil dá mil voltas ao centro por tentar avisar. Estamos distraídos. Que importa, logo mais iremos a sonhar. É imperativo do nosso fazer. Temos. Que. Fazer. Porque logo se fôssemos a ser, estas plumas sonhadoras, saberia-se que tudo ali era sério. Mesmo nos sonhos, a matéria não está a brincar. Nada está à toa, a não ser objetos que estão a girar. Giram à toa pois voltam ao mesmo lugar. É o entrave da evolução, a adoração ao fazer. E assim foi feito. Quando mais ao girar, mais se rebaixou nas dimensões do ser. Este copo, para quem é, foi feito para se oferecer.

1 comment:

Anonymous said...

N.

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