Sunday, August 21, 2011

ode ao incansável lume

(...)
Se derivas ao adorno, ah te conto
que as pedras que contorno
os merlúrios que atiro
os mócios que vi
Nenhum deles tenho feito

Que por mais que, em todos a neopápiros catalogue e,
os tenha mesmo direito em valia,
Não faz a ode da lembrança o sufrágio do escape que enjeita.

SOU ALASTOR, O IMATURO

prevarico os desarranjos do amor
leio os sujeitos incertos, cortejo as pedras do futuro.

em ardor recorrente, remonto a cinza crescente, de forma qu'as eleve o despudor austero.
no entanto sou leve, sou simples, sou sincero.

SOU AMARILDO, O SAGAZ

nomeio todos os dentes, se mastigação leve o faz
devoto os passos ao vento, e por mais que tento

não sigo o enleio da neblina, por meu próprio sopro, a sina se desacortina
porém me enfastio facilmente, não há doçura neste estoicismo sovina.

SOU LÚCIO, O DESERTOR

Se aos nobres o suor não convém
e sem púlpito mordaz o alimento tem
não enseja em bocanha ao sargoroso linguado
menos ainda enlameia as unhas em pulsar sertanejo

Então que à Lua se façam!
pois do sargaço mais tosco as dobraduras traçam
e da levedura do fermento portenho o desenho tenham;

Que todas as gavetas da academia os levem ao céu!
(por entre pratos de agarose e louças de papel)

E que lá recriem, na sagrada exatidão em altar renitente;
pois que aqui os cálculos já existem, no limiar do caos ardente.

Se rejeitam a côr preta e instrumentalizam a arte
por amor aos aviões, destinem-se à Marte!


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Se não tens a fortuna nem o bilhete,
     então escreva no bordo do teu livro sagrado,
          que não te esqueça de vencer a paz, pelo teu número sorteado.

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