Tuesday, June 24, 2014

Cinco por cinco

Seus dados absolutos se destacam
Entre varões inertes, uma gaveta
E tantos outros em volta são objetos
Dum vago cinema à cisterna
Uma sombra vazia ilumina um catavento

Assim me cercam suas crias
Dos reassomos da noite
Que não se foge mas se escuta o chiado
Na ferida celeste da terra vazando
Um novelo contendo as vísceras das profundezas

Se um dia aprendi malabares
Que os faça valer
Sobre uma tábua de pedra calcárea
Assentada em pedra pomes
Que uma missão na terra está para ser feita

Há grandes blocos desagregantes
No fundo da nuca
Escutar seus sons indizíveis
E se já não há o que dizer
Ver crescer a atmosfera em fogo, levante

Hoje tentarei dormir
Sem a sombra da Lua
Que passou na segurança do dia
Sem dizer formas nem cores
Nem suscitar antigos amores

Saturday, July 27, 2013

Mira!

Outra terra se estende para lá dos caminhos!
lá do outro alecrim, mar abertos concertos
por isso lhe entendo, cão. Por entre protestos
sossego o naufragado calor, fim aos incertos
refastelos de uma cor vencida, seus desnovelos
dedos cão! suja boca que sou, ou seu, camelos!

Thursday, July 04, 2013

,


Pelos lados e contornos de um alicerce vai-e-passa, instiga os elementos vigentes, a serem reunidos em praça, violar os segredos do padrão de cura e suas santas chaves, de casas nas quais somente entram os corações tranquilos, pelos patamares terrenos dispersos de brancura! E ali sorriem tranquilos e lúcidos, caminhando entre teares pitando tabaco, ouvindo rumores de patos, de lenha travada por machado o cheiro e sangue viscoso no tapete de lânguido mato.  

Thursday, May 30, 2013

clipes, momentos, postagens, cabeça num alicerce
quero me manter neste momento agreste
quero me montar em uma algibeira
e voar com sete penas pelas lucernas

e neste sono profundo, despestanejar
a febre do luar veemente
se não puder respirar
estou ausente

Wednesday, February 20, 2013

Um paredão; ou espelho de ossos



Ou então aquele que, perdido no assortimento de seu próprio pudor, não visa mais que empreender espera ao que vai respirar somente à chegada da luz sublime aos olhos, ao que ela se extende, a derrama como bálsamo por sobre as mãos, quando em melhor caso deveria a ter mantido enquanto unguento aos ossos febris.


De volta dos confins dos anos 00, tudo estava no 00 até o estalar do fim do mundo, abstrato ou real, não só foi real para muitos mas o asbtrato ridículo para outros fez com que se tornasse ainda mais real, entenda-se, o medo e o ridículo pertencem à mesma esfera da realidade. José Saramago foi escritor visceral, explícito ao real, hora de suas palavras militante, hora regenerador do infinito, escapista em suas noções magnetizantes da víscera que pulsa ao mental, à fantasia do concreto.

...Porque ouço a trovoada no horizonte direito, e logo que a vaga de som me chega, assim como aquele pequeno aglomerado de pássaros se desprende como gota d'água que se estala, os olhos que atentos ao ar estão suficientes percebem a tênue vibração no ar e distorção temporal provocada por ele, em direção ao horizonte esquerdo, aonde, a árvore mais bonita da vizinhança, hoje tomada por ervas de passarinho tremefica. São mais dez segundos até que a chuva cai desprendida e a partir dali é só ela.


Wednesday, December 12, 2012

Se terá este momento flúido como um rio
e as terras em meu pensamento descansam
em molhos que vêm a chuva as lavar

como intento meus braços em movimento
por entre curvas, coisas, momentos
provendo dos sinais do ar, bravejo agourento

e assim formam o caldo do tempo,
e panos torcidos, memórias que ligadas
ainda assim são, passadas, desprendem
mas reincidem.

hoje estou no fluxo mas meus braços são longos
e não posso cortá-los.
amacio os olhares em volta e eis que eles me reportam
cheio de amarras.

Wednesday, December 05, 2012

Dentre os tubos da ventilação e a noite solar
Se esconde um segredo, um sentido
Na navegação do arco-íris enraizada
A constipar a (ferra)mente arietal 


(poesia hemiptera)

venho e sugo, doce
coça traseira, vira pra ti
dobro ando e descanso
acho que respiro
fui


voltei
outra caminhante, desespero!
ambas. 

Antena do equilíbrio,
me mostre o caminho
doce.

Friday, November 02, 2012

Nas montanhas de Lasgo estás. Uma criança move fragmentos de rocha em forma de círculos, uma mandala, depois outra, e mais outra... Em sua volta, todas as outras crianças parecem mover-se em ciranda. Muito embora nenhuma estação de rádio seja captada, em seus ouvidos assoma música indescritível, nem ao menos se pensa em retratá-la
em pensamento. Sua presença é muita, é vista porém não é sentida, é inço sem espinhos, é como o toque do vento.
Por sentir o peso do corpo, concentra-se no chão, e foca...
Dois dias se passaram.

Monday, October 22, 2012

Sopro

Renasce em ti, aurora, e no peito, espada de cristal.
Que sorte terão os sábios, os cristos, pela lufada
Do juízo próximo, que Não tão final, mas assim,
Sepulcra os motivos para viver hoje; então,
Podereis escutar os sinos alados da injúria,
A razão toda que foge, dando sentido
À fonte primária do amor e entendimento
Os sentidos confrontam o movimento,
Barram a velocidade, represam o vento!


Lúcio: Meu corpo de macho injuriado! Meus passos sem sentido! Que pudera eu, caminhar em meio aos sons da natureza, tendo comigo a intensidade das prestezas, sem a frequencia da incerteza, com suspiros sem fim!

Alastor: Qual, Lúcio! E não lhe direi igualmente, que vejo cada bolha de ar do velho peixe, cada fio de cabelo da vigorosa dama, cada sopro de ar teu, com ternura única? E então a luz me atinge plena, cada gota de suor, amanciada, resplandece no cerume deste solo vil? Meu peito nú é minha roupa tênue. Meu altar é minha cozinha, meu jardim, meu encanto! Se algum dia nascer pobre, que pelomenos tenha isso, poderei viver sem roupas! Por que praguejar, deixa-te irromper! É o que te vale, é o que te pulsa! Se não pode ser assim, te cozinhas em caldo de escárnio. Oh, então... Deixa a musa vir, aquele sopro circunstancial que enebria, quando tudo em volta, oh, enfastia, enfastia!

Amarildo: O que vos faz salivar? Se vos falta saliva na boca, é porque já acostumaram-se em não ter o alimento correto. Assim seguirão, com lisura? Neste sonho no qual o desespero infiltra, permaneceis calados?

Lúcio: O pequeno Telos costuma gritar em frente do ventilador. Reparte-se em mil. Não escapamos, a tangenciar, não detemos à atenção mútua. Os algozes: em alvoroço embriagado; os anjos suam frio. Um resplendoroso copo d'água ao novo rico, o brócolis de plástico em mesa de cristal. E o óleo tirado da lâmpada vai alimentar o sal, e uma lata de lixo, o seu final.

Wednesday, October 17, 2012

Assim não me pertence esse lugar
Seus trajetos, lençóis e calçadas furadas
Tendiam para os meus pés como gato
Dando cria no telhado, furando monte
De composto, de cada esquina dura
Que passei, abaixei, cansado, as pernas
Como curvas cansadas, enxameando
Pesadelos meus, arqueando sonhos descubro

Que tolhido de amor, espero ao menos
Ainda conseguir dizer a verdade, ou
Então sentir saudade de uma boca, uma
Mão, uma palavra, um enxágue que
Se horizonte, talvez, sabendo respirar
Tenha eu formado, no cabo da panela
De oleiro, um desafio nos moldes de
Um mundo contaminado, protegendo
Sinos quando Lúcifer, ele, mora ao lado.



Sunday, October 07, 2012

Pedras, sonetos, gemas, lilás,














Brisa suave de pimentão, aquarela doméstica

Por tempo







indeterminado.

Monday, October 01, 2012

Galã em osíris; Ninfa confusa
Pernas longas e inútes
Ao longo da cafeteria (as veias resplandescem)
O sagaz espírito aprisionado.

Friday, September 14, 2012

Uyuni, 16/01/12

Pedras e cinzas, fagulhas de Açores
se ferve do lado, um caldo de cores
Não aceites pensar, que no esforço levar
uma resposta transviada, uma letra corrida
uma peleja pensada
Se no fundo queres dizer... A alma está calada.

Thursday, August 02, 2012


É que sou levantado em meu berço de coura, e assim por dito renuncio ao calor denunciativo da respiração. Então em meus braços, resplanceio e cor, e gosto, e vibro no meu seio celeste amor. Agradeço, pertenço, ausento, escrevo por é tarefa de escravo, escavo por é tarefa do senhor. Por sendo assim sereno, misério a astuta de minha integridade, batuta da saúde e do amor terrena irmandade.

Não terei o fino clamor dos rinocerontes, que é por ver no horizonte, já feria as suas vestes de prata, algodão doce, vento branco, ternura e romance. Venha a montanha me atingir, arvoredos maduros, toros taciturnos, salseiro agreste, insinua rampa celeste, afora dessa escuridão engobiada.

Luzeiam enxames de abelhas, rincas, feras, sereias, vereis o mar. Em teu doce salar, núvem trelada de fogo, macacos em dobro, ruge a estrela Solar.

Saturday, July 21, 2012

Ginnie e os alfredos

Ginnie e os alfredos tem dificuldade de se livrar dos costumes do quartel-general. Ginnie não pode respirar sem contar.

Alfredos não pode espirrar sem um lenço por perto.

Ao sair do banho diário, Ginnie estende os panos por sobre todo o chão para que não o tenha molhado. Ao se aproximar da pia, limpa os vidros com a parte de trás das mãos, ao mesmo tempo que pisa ao chão com a ponta dos pés, para desviar a existência do frio. Em horas normais, Ginnie respira racionadamente.

Os alfredos geralmente se esquecem de respirar, no quartel-general. É preciso que toque a sineta a cada duas horas, para recobrar o ritmo.

É então que Ginnie olha ao quadro instrutivo do método de yoga, e segue os passos para a respiração sensata. No meio do exercício, Ginnie se lembra dos chás de hortelã na casa da tia Hud. E Ginnie sente arrependimentos, entremeados de arrepios, vibrando sobre a delícia de ter olhos confusos. 

Monday, July 02, 2012

Nonon

Por que seria

que nesses olhos vestidos de chama, entulhados

entulhamados me llaman

brilha tua verdadeira alma de homem mulher

então na minha frente, amigo tenho

não que haja em si uma televisão

mas que veja um teto espalhado de coisas

folhas, pessoas e coisas

ponho de ponta cabeça

por que estava ao contrário.

Tuesday, June 05, 2012

brilhabandeja

ferida que não se vale a pena chocar
e torná-la escarro de tons laranja
que por isso ensejas
sua ama de leite, o vinho trazido em brilhabandeja

tendo visto a chama do desejo brilhar
por carros e avenidas é um castelo guardado
são plumas de campos sob o teto imaginário
de um berço de ninar.

Nem o suplício de um aborto
pôs o chão em seu lugar
afetado por esferas de equilíbrio
ludibriando partículas de ar,
que percorrem, lúgubres
o brilho opaco da viga cinza
E que se minta que malogrado não é
o avanço do super homem homídeo.

Friday, June 01, 2012

Detenção.


A insistente contemplação dos impulsos em se entreter jubilamente, com os prazeres dos sentidos e dos sentidos das pessoas, conduz ao caos do vazio, aonde não se é permitido começar do zero. Assim, acordo em meu 'concretanedo' decorado, e logo que tenho os ouvidos arrombados pelo implícito roncar dos motores lá fora, que impoem a mensagem clara: Seja um Lustre morto! Seja um lustre morto. Então o companheiro de sala e cozinha, assim que acordado, respira tal como eles em seu falso contentamento, descompassado, dando o combustível à medida que lhe pede o seu ímpeto lascivo. A sua mente, para se contentar, finge normalidade. Brilha em seu entorno e se avoluma em meu pesar, o descarrilhamento do formar-se $, e do formar-se $ será formado homem e não o vice-versa? Quando se explicam, ensejam a independência paterna, porém esquecem que estarão no raso berço do mundo vulgar. E quando seus pais ficarem doentes (pelas chagas que permitiram infiltração), olharão no fundo de seus olhos, o único e puro repositório do espelho à vida inocente e perceberão, na curva da vida sem retorno, a arrogância eternizada. À estes tipos detenho os risos pois à eles não são verossímeis; ao seu lado, o que me deixa forte é o mesmo que por hora me desproteje, por isso vacilo. Alguns perdoarão aos artistas da elite, que cedem tudo de si, por denotarem que de tudo têm (mal sabendo que os vestem de fantoches de um mundo além). A culpa é nenhuma, porém a incidência é total, fazendo ao homem comum o esmorecimento. Quem será o primeiro, a lembrar, no brado contíguo:  "Pois aqui também temos nossas luzes, no limiar do caos ardente!" ?

Trave-seio


Não há paixão, não há vigilância terrena que resista aos afagos do júbilo perene. Seus modestos seios, eles então serão em vão. Também serão os beijos e os anseios. Do modo que lhe vai hoje, é cabível que à uma fagulha de chama não dê o menor valor, pois todas são dispostas de fábricas de fagulhas de chama. Assim como temos fábricas de amor. Portanto, do que vale um beijo que lhe cai na trave da boca, se somente deseja que se amplie a frequencia do teu esperma, do seio dela derramado? O modesto seio, que por sinal, belo, querer-se-á grande, para abarcar toda a amargura do sentir mulher.