Saturday, July 11, 2015

Penosidades

Uma alma mesmo que quase vazia
Ainda guarda os cantos particulares,
Que resplandecem, que sua própria
Sorte pela miséria é sua, todavia.

Sunday, May 17, 2015

- parte -

O copo, este, era diferente a cada superfície que entremeava. Sabe-se do primeiro copo que jamais existiu fora para oferecer algo a outro, e não para si. Ele estabelece o princípio da celebração.Destes tempos enfim, o significado não transmuta-se a toa. Se divide para um momento de virar poeira. Tudo caminha para um final, que é seu novo começo, fato que não é novidade nem surpresa. No entanto, neste jogo humano pode-se caminhar sem consciência. Quando o executar é uma ordem, ser fica em segundo plano. Bom, não basta isto. Outros planos já foram colocados em segundo plano, sobrepondo-se, é uma ordem do executivo, um entreposto do sonhar. Está-se ali, sendo em algum plano não se sabe onde. Erguem-se os copos noite após noite. É para levar algo novo à boca. Executar. Alguém viu a influência do punhal? E um terceiro copo. A matéria sutil dá mil voltas ao centro por tentar avisar. Estamos distraídos. Que importa, logo mais iremos a sonhar. É imperativo do nosso fazer. Temos. Que. Fazer. Porque logo se fôssemos a ser, estas plumas sonhadoras, saberia-se que tudo ali era sério. Mesmo nos sonhos, a matéria não está a brincar. Nada está à toa, a não ser objetos que estão a girar. Giram à toa pois voltam ao mesmo lugar. É o entrave da evolução, a adoração ao fazer. E assim foi feito. Quando mais ao girar, mais se rebaixou nas dimensões do ser. Este copo, para quem é, foi feito para se oferecer.

Wednesday, April 01, 2015

Lembrança

Lisboa eu te vi sobre mares
Toda encanducada às arruelas
Os afoitos mestre-remadores à janela

Partiam-se escombros de velha arandela
Arredondadas arruelas de fissuras às canelas
Toda pelos ares



Saturday, March 14, 2015

Os mares

De todos os locais onde viam-se mares
desejou, de todos, um onde pudesse ficar
Inerte

Uma rocha suspensa sobre a passagem
de baleias vindas do polo sem esforço
Agreste

Os frutos do caju que vieram boiando
de um mar distante no caribe
Arfante

A espera sem fim de ver transforme
o ritmo da passagem das ondas
Galope

Pelo fim ver que tudo se transformou
dando voltas pelo luar de luzes
Infante

Tuesday, October 21, 2014

Molas e veias


Uma tensão pós-tempestade indica caminhos a sobrepor;

O enfado dos mestres se encaminha ao estupor, portanto

Hirsuto aquele que segue tudo à risca, será devorado

Pela sombria chama dos astros, pelos longos caminhos

Será encontrado esticado morto, com os últimos suspiros

Segurando as aspas de seu próprio legado; foste reto

E hoje seu corpo restou só e inchado, sem o calor animal

Que de tanto houve devorar à outros seres que jamais

Olhou aos olhos, tinham um calor parecido.


Um estupor que tomou conta e foi seguido

Uma sina desconhecida que se seguiu e reverberou

Os seus versos valem tanto quanto letra pintada,

Duma escolha apresentada sempre negou resquício

Dedilhou a alma própria pela partitura, cerrando os dentes

Esquecendo a quantos entes lhe avisavam, estava morto!

Ao ver a cerração ao longo do porto, pediu sossego

A ver uma palmeira despedaçada, deu risada

E logo ao irmão morto à causa vil, enternecer nada quis!

Pois queria à seus objetos a sua segurança a ser feliz


Então ao dar por esquina, já maduro como Pêra

Vê num sebo um velho livro, novo somente ao papel

Dizendo coisas de espíritos, não era Kardec, nem Goethe

Era Hugo descobrindo um velho macete, duma mesa gemedora

Que estremecia aos convidados no sentido vindo à boca do oculto

De forma que se estornem os velhos padrões mesquinhos

O que mais disse foi, entre nós, animais e plantas, não há nada sozinho

E que tudo pode se escutar, sem para isso bradar um pio

Se tudo vibra então algo estremece, é a envergadura final

Como a temperatura do sangue resulta nas veias de um mortal.

Thursday, July 03, 2014

Calomares

Que universo tão mais grande e mais diverso

Que tenho nesse redor de mar e fronte

Passo de ilhas abertas a terrenos vazios

Apertos celestes revelam lugares sombrios;


Horizonta meus olhos num celeiro molhado

Assentando a fadiga numa cama de palha

Olhando às estrelas ao longe prevendo viagem

À serra das torres molhadas onde elas serão navios.


Criaturas que conheço por hábito e cerne

Outras que vôam e que nunca mais vi

Araçás desenham as formas do meu jardim

São espelhos das estrelas na terra onde corre água;


O marfim deste lugar é o tarumã

Que abriga o ninho daquela flor anã e das formigas

Logo passando a entender as barrigas desta terra

Que sem guardar segredos sossegam as mágoas.

Tuesday, June 24, 2014

Cinco por cinco

Seus dados absolutos se destacam
Entre varões inertes, uma gaveta
E tantos outros em volta são objetos
Dum vago cinema à cisterna
Uma sombra vazia ilumina um catavento

Assim me cercam suas crias
Dos reassomos da noite
Que não se foge mas se escuta o chiado
Na ferida celeste da terra vazando
Um novelo contendo as vísceras das profundezas

Se um dia aprendi malabares
Que os faça valer
Sobre uma tábua de pedra calcárea
Assentada em pedra pomes
Que uma missão na terra está para ser feita

Há grandes blocos desagregantes
No fundo da nuca
Escutar seus sons indizíveis
E se já não há o que dizer
Ver crescer a atmosfera em fogo, levante

Hoje tentarei dormir
Sem a sombra da Lua
Que passou na segurança do dia
Sem dizer formas nem cores
Nem suscitar antigos amores

Saturday, July 27, 2013

Mira!

Outra terra se estende para lá dos caminhos!
lá do outro alecrim, mar abertos concertos
por isso lhe entendo, cão. Por entre protestos
sossego o naufragado calor, fim aos incertos
refastelos de uma cor vencida, seus desnovelos
dedos cão! suja boca que sou, ou seu, camelos!

Thursday, July 04, 2013

,


Pelos lados e contornos de um alicerce vai-e-passa, instiga os elementos vigentes, a serem reunidos em praça, violar os segredos do padrão de cura e suas santas chaves, de casas nas quais somente entram os corações tranquilos, pelos patamares terrenos dispersos de brancura! E ali sorriem tranquilos e lúcidos, caminhando entre teares pitando tabaco, ouvindo rumores de patos, de lenha travada por machado o cheiro e sangue viscoso no tapete de lânguido mato.  

Thursday, May 30, 2013

clipes, momentos, postagens, cabeça num alicerce
quero me manter neste momento agreste
quero me montar em uma algibeira
e voar com sete penas pelas lucernas

e neste sono profundo, despestanejar
a febre do luar veemente
se não puder respirar
estou ausente

Wednesday, February 20, 2013

Um paredão; ou espelho de ossos



Ou então aquele que, perdido no assortimento de seu próprio pudor, não visa mais que empreender espera ao que vai respirar somente à chegada da luz sublime aos olhos, ao que ela se extende, a derrama como bálsamo por sobre as mãos, quando em melhor caso deveria a ter mantido enquanto unguento aos ossos febris.


De volta dos confins dos anos 00, tudo estava no 00 até o estalar do fim do mundo, abstrato ou real, não só foi real para muitos mas o asbtrato ridículo para outros fez com que se tornasse ainda mais real, entenda-se, o medo e o ridículo pertencem à mesma esfera da realidade. José Saramago foi escritor visceral, explícito ao real, hora de suas palavras militante, hora regenerador do infinito, escapista em suas noções magnetizantes da víscera que pulsa ao mental, à fantasia do concreto.

...Porque ouço a trovoada no horizonte direito, e logo que a vaga de som me chega, assim como aquele pequeno aglomerado de pássaros se desprende como gota d'água que se estala, os olhos que atentos ao ar estão suficientes percebem a tênue vibração no ar e distorção temporal provocada por ele, em direção ao horizonte esquerdo, aonde, a árvore mais bonita da vizinhança, hoje tomada por ervas de passarinho tremefica. São mais dez segundos até que a chuva cai desprendida e a partir dali é só ela.


Wednesday, December 12, 2012

Se terá este momento flúido como um rio
e as terras em meu pensamento descansam
em molhos que vêm a chuva as lavar

como intento meus braços em movimento
por entre curvas, coisas, momentos
provendo dos sinais do ar, bravejo agourento

e assim formam o caldo do tempo,
e panos torcidos, memórias que ligadas
ainda assim são, passadas, desprendem
mas reincidem.

hoje estou no fluxo mas meus braços são longos
e não posso cortá-los.
amacio os olhares em volta e eis que eles me reportam
cheio de amarras.

Wednesday, December 05, 2012

Dentre os tubos da ventilação e a noite solar
Se esconde um segredo, um sentido
Na navegação do arco-íris enraizada
A constipar a (ferra)mente arietal 


(poesia hemiptera)

venho e sugo, doce
coça traseira, vira pra ti
dobro ando e descanso
acho que respiro
fui


voltei
outra caminhante, desespero!
ambas. 

Antena do equilíbrio,
me mostre o caminho
doce.

Friday, November 02, 2012

Nas montanhas de Lasgo estás. Uma criança move fragmentos de rocha em forma de círculos, uma mandala, depois outra, e mais outra... Em sua volta, todas as outras crianças parecem mover-se em ciranda. Muito embora nenhuma estação de rádio seja captada, em seus ouvidos assoma música indescritível, nem ao menos se pensa em retratá-la
em pensamento. Sua presença é muita, é vista porém não é sentida, é inço sem espinhos, é como o toque do vento.
Por sentir o peso do corpo, concentra-se no chão, e foca...
Dois dias se passaram.

Monday, October 22, 2012

Sopro

Renasce em ti, aurora, e no peito, espada de cristal.
Que sorte terão os sábios, os cristos, pela lufada
Do juízo próximo, que Não tão final, mas assim,
Sepulcra os motivos para viver hoje; então,
Podereis escutar os sinos alados da injúria,
A razão toda que foge, dando sentido
À fonte primária do amor e entendimento
Os sentidos confrontam o movimento,
Barram a velocidade, represam o vento!


Lúcio: Meu corpo de macho injuriado! Meus passos sem sentido! Que pudera eu, caminhar em meio aos sons da natureza, tendo comigo a intensidade das prestezas, sem a frequencia da incerteza, com suspiros sem fim!

Alastor: Qual, Lúcio! E não lhe direi igualmente, que vejo cada bolha de ar do velho peixe, cada fio de cabelo da vigorosa dama, cada sopro de ar teu, com ternura única? E então a luz me atinge plena, cada gota de suor, amanciada, resplandece no cerume deste solo vil? Meu peito nú é minha roupa tênue. Meu altar é minha cozinha, meu jardim, meu encanto! Se algum dia nascer pobre, que pelomenos tenha isso, poderei viver sem roupas! Por que praguejar, deixa-te irromper! É o que te vale, é o que te pulsa! Se não pode ser assim, te cozinhas em caldo de escárnio. Oh, então... Deixa a musa vir, aquele sopro circunstancial que enebria, quando tudo em volta, oh, enfastia, enfastia!

Amarildo: O que vos faz salivar? Se vos falta saliva na boca, é porque já acostumaram-se em não ter o alimento correto. Assim seguirão, com lisura? Neste sonho no qual o desespero infiltra, permaneceis calados?

Lúcio: O pequeno Telos costuma gritar em frente do ventilador. Reparte-se em mil. Não escapamos, a tangenciar, não detemos à atenção mútua. Os algozes: em alvoroço embriagado; os anjos suam frio. Um resplendoroso copo d'água ao novo rico, o brócolis de plástico em mesa de cristal. E o óleo tirado da lâmpada vai alimentar o sal, e uma lata de lixo, o seu final.

Wednesday, October 17, 2012

Assim não me pertence esse lugar
Seus trajetos, lençóis e calçadas furadas
Tendiam para os meus pés como gato
Dando cria no telhado, furando monte
De composto, de cada esquina dura
Que passei, abaixei, cansado, as pernas
Como curvas cansadas, enxameando
Pesadelos meus, arqueando sonhos descubro

Que tolhido de amor, espero ao menos
Ainda conseguir dizer a verdade, ou
Então sentir saudade de uma boca, uma
Mão, uma palavra, um enxágue que
Se horizonte, talvez, sabendo respirar
Tenha eu formado, no cabo da panela
De oleiro, um desafio nos moldes de
Um mundo contaminado, protegendo
Sinos quando Lúcifer, ele, mora ao lado.



Sunday, October 07, 2012

Pedras, sonetos, gemas, lilás,














Brisa suave de pimentão, aquarela doméstica

Por tempo







indeterminado.

Monday, October 01, 2012

Galã em osíris; Ninfa confusa
Pernas longas e inútes
Ao longo da cafeteria (as veias resplandescem)
O sagaz espírito aprisionado.

Friday, September 14, 2012

Uyuni, 16/01/12

Pedras e cinzas, fagulhas de Açores
se ferve do lado, um caldo de cores
Não aceites pensar, que no esforço levar
uma resposta transviada, uma letra corrida
uma peleja pensada
Se no fundo queres dizer... A alma está calada.