Por milhoes de léguas em mares estranhos
qual será o tamanho, do saturno de isopor?
das veias internas expostas e esticadas,
um martírio indolor, os relevos se aglutinam
feito pedras em um aquário, para reter
na curta distância entre dois pontos ambíguos
um martirismo do desgosto, fortuna esboroada,
um paquiderme destelhando o santuário
da cracatua desgastada.
Sunday, March 18, 2012
Carlos, Quando se Mata
Acho que assim ficareicalmo, puro e repleto, quando você vem
Só não sei quem vai ser você
E se as madrugadas anunciarão o teu sinal
Do mesmo jeito que não saberei se o inverno vai chorar no meu final
Eu sigo amaciando a vida
para o que está em volta de mim não te assustar
Eu sigo querendo apagar os postes
noturnos para quando você chegar
Porque não dá para enganar a noite
Assim, também não tenho como diminuir a lua cheia
só para que ela esteja cheia em toda vez que no meu lado você caminhar
Só não sei quem vai ser você
E se as madrugadas anunciarão o teu sinal
Do mesmo jeito que não saberei se o inverno vai chorar no meu final
Eu sigo amaciando a vida
para o que está em volta de mim não te assustar
Eu sigo querendo apagar os postes
noturnos para quando você chegar
Porque não dá para enganar a noite
Assim, também não tenho como diminuir a lua cheia
só para que ela esteja cheia em toda vez que no meu lado você caminhar
Sunday, October 09, 2011
No peito de bronze que davos encerra
pulpitam varões, carro e bigorna
vapores de carne, suor da terra
iluminam a força em movimento;
falanges de equos por caules vibrantes;
peitos arfantes, na volcúria a garganta emoliente
na rocha polida, reflete uma estrela cadente.
Nesta laje uma mão antiga passou
deixou suas arfas, do solstício que refaz
Assim, arqueio os ventos que me caem
forjo uma mandala e cerro os olhos
que vivo, de uma outra arte
pulpitam varões, carro e bigorna
vapores de carne, suor da terra
iluminam a força em movimento;
falanges de equos por caules vibrantes;
peitos arfantes, na volcúria a garganta emoliente
na rocha polida, reflete uma estrela cadente.
Nesta laje uma mão antiga passou
deixou suas arfas, do solstício que refaz
Assim, arqueio os ventos que me caem
forjo uma mandala e cerro os olhos
que vivo, de uma outra arte
Monday, October 03, 2011
Saturday, September 03, 2011
À massambu
O visgo do labor se assossega
Enquanto o peso da Lua se encarrega
De suprir aos jarros dos homens
Pedra, calor e fogo intenso
Amomento em pensamento
Que à esta hora, nos açores
Se haveriam preparado as cores
Da safra primaveril
Da sede dos pescadores
Do movimento febril; o matrimônio vil
Da noite que não anoitece
Do espírito que encaranga e se arrefece
Por ventura dos ventos, findo o inverno
Vejo-te: consterna tua saga
E ainda, traze o lamúrio em cesto
A massambu, ao colo materno.
Enquanto o peso da Lua se encarrega
De suprir aos jarros dos homens
Pedra, calor e fogo intenso
Amomento em pensamento
Que à esta hora, nos açores
Se haveriam preparado as cores
Da safra primaveril
Da sede dos pescadores
Do movimento febril; o matrimônio vil
Da noite que não anoitece
Do espírito que encaranga e se arrefece
Por ventura dos ventos, findo o inverno
Vejo-te: consterna tua saga
E ainda, traze o lamúrio em cesto
A massambu, ao colo materno.
Tuesday, August 30, 2011
Sem pestanejar
- Me parece mais que histórias se escrevem à noite - Conjurou aos céus seus sentidos, e seguiu amalgamado pelo decorrer do fim da manhã. Antônho já havia se habituado com o frescor do ar que habitava a ilha, mas aos anos passados o respirara indolente; deixando aprover seu vigor, no entanto sem conceder os créditos emotivos que se suscederiam à uma criatura sensível.
- A paisagem na janela é sempre a mesma. No entanto é mais lúcida que a alvura emitida pela tela binária, que aqui se desdobra feito o baú de pandora, sorrateando na mesa seca. - E assim o desacortina, erguendo a lâmpada quadrada que lira e vozeia solene, e que endossa ao corpo; como sabre que entra pelo ventre até que atinge o dorso espinhal. Ali, uma comoção renitente sucede, que contagiosa, evoca o ritmo dos pulmões, engendrando à coluna enquanto arco tensionado e prestes a romper. Então nos olhos os temores se aglutinam, à feição transformada, que ali se extendem e amortizam em profundo, estando sem saber, se focam firmemente ou se pulsam descabidos, sem conseguir retribuir com o lampejo dos ares da luz que o intumecem por detrás. Apagam, sem pestanejar.
- A paisagem na janela é sempre a mesma. No entanto é mais lúcida que a alvura emitida pela tela binária, que aqui se desdobra feito o baú de pandora, sorrateando na mesa seca. - E assim o desacortina, erguendo a lâmpada quadrada que lira e vozeia solene, e que endossa ao corpo; como sabre que entra pelo ventre até que atinge o dorso espinhal. Ali, uma comoção renitente sucede, que contagiosa, evoca o ritmo dos pulmões, engendrando à coluna enquanto arco tensionado e prestes a romper. Então nos olhos os temores se aglutinam, à feição transformada, que ali se extendem e amortizam em profundo, estando sem saber, se focam firmemente ou se pulsam descabidos, sem conseguir retribuir com o lampejo dos ares da luz que o intumecem por detrás. Apagam, sem pestanejar.
Sunday, August 21, 2011
ode ao incansável lume
(...)
Se derivas ao adorno, ah te conto
que as pedras que contorno
os merlúrios que atiro
os mócios que vi
Nenhum deles tenho feito
Que por mais que, em todos a neopápiros catalogue e,
os tenha mesmo direito em valia,
Não faz a ode da lembrança o sufrágio do escape que enjeita.
SOU ALASTOR, O IMATURO
prevarico os desarranjos do amor
leio os sujeitos incertos, cortejo as pedras do futuro.
em ardor recorrente, remonto a cinza crescente, de forma qu'as eleve o despudor austero.
no entanto sou leve, sou simples, sou sincero.
SOU AMARILDO, O SAGAZ
nomeio todos os dentes, se mastigação leve o faz
devoto os passos ao vento, e por mais que tento
não sigo o enleio da neblina, por meu próprio sopro, a sina se desacortina
porém me enfastio facilmente, não há doçura neste estoicismo sovina.
SOU LÚCIO, O DESERTOR
Se aos nobres o suor não convém
e sem púlpito mordaz o alimento tem
não enseja em bocanha ao sargoroso linguado
menos ainda enlameia as unhas em pulsar sertanejo
Então que à Lua se façam!
pois do sargaço mais tosco as dobraduras traçam
e da levedura do fermento portenho o desenho tenham;
Que todas as gavetas da academia os levem ao céu!
(por entre pratos de agarose e louças de papel)
E que lá recriem, na sagrada exatidão em altar renitente;
pois que aqui os cálculos já existem, no limiar do caos ardente.
Se rejeitam a côr preta e instrumentalizam a arte
por amor aos aviões, destinem-se à Marte!
----------
Se não tens a fortuna nem o bilhete,
então escreva no bordo do teu livro sagrado,
que não te esqueça de vencer a paz, pelo teu número sorteado.
Se derivas ao adorno, ah te conto
que as pedras que contorno
os merlúrios que atiro
os mócios que vi
Nenhum deles tenho feito
Que por mais que, em todos a neopápiros catalogue e,
os tenha mesmo direito em valia,
Não faz a ode da lembrança o sufrágio do escape que enjeita.
SOU ALASTOR, O IMATURO
prevarico os desarranjos do amor
leio os sujeitos incertos, cortejo as pedras do futuro.
em ardor recorrente, remonto a cinza crescente, de forma qu'as eleve o despudor austero.
no entanto sou leve, sou simples, sou sincero.
SOU AMARILDO, O SAGAZ
nomeio todos os dentes, se mastigação leve o faz
devoto os passos ao vento, e por mais que tento
não sigo o enleio da neblina, por meu próprio sopro, a sina se desacortina
porém me enfastio facilmente, não há doçura neste estoicismo sovina.
SOU LÚCIO, O DESERTOR
Se aos nobres o suor não convém
e sem púlpito mordaz o alimento tem
não enseja em bocanha ao sargoroso linguado
menos ainda enlameia as unhas em pulsar sertanejo
Então que à Lua se façam!
pois do sargaço mais tosco as dobraduras traçam
e da levedura do fermento portenho o desenho tenham;
Que todas as gavetas da academia os levem ao céu!
(por entre pratos de agarose e louças de papel)
E que lá recriem, na sagrada exatidão em altar renitente;
pois que aqui os cálculos já existem, no limiar do caos ardente.
Se rejeitam a côr preta e instrumentalizam a arte
por amor aos aviões, destinem-se à Marte!
----------
Se não tens a fortuna nem o bilhete,
então escreva no bordo do teu livro sagrado,
que não te esqueça de vencer a paz, pelo teu número sorteado.
Thursday, August 18, 2011
Saturday, July 16, 2011
Aceito as forças da natureza que guiam meus caminhos; Expresso a vontade do grande espírito em minha jornada; Revelo a pureza de minha alma nas trilhas de meu dia; Me uno aos espíritos da floresta e aceito seus sábios conselhos; Acolho a voz de meus ancestrais e aprendo a ouvir meu coração; Caminho com coragem e supero minhas provações; Confio na luz e me entrego ao amor.
canto xamã
canto xamã
Sunday, June 19, 2011
Seresta do alto mar
(no feminino)
o samba balança em frequecia
cálido poente vapor, alto mar
em meu coração nu, ausente
as folhas caem, molham, ardem como nunca
e nessa rotina de enfado
encaderno sonhos em papel listrado
pra entender que vem do sol poente
uma maneira de munir meu sangue, vermelho
em meus semblantes passa nuvem, passa gente
no canto dos olhos vejo teu ser guardado
será que um errante pôr do sol procura
ou que pode iluminar esse tempo nublado
no meu ser
(...)
o samba balança em frequecia
cálido poente vapor, alto mar
em meu coração nu, ausente
as folhas caem, molham, ardem como nunca
e nessa rotina de enfado
encaderno sonhos em papel listrado
pra entender que vem do sol poente
uma maneira de munir meu sangue, vermelho
em meus semblantes passa nuvem, passa gente
no canto dos olhos vejo teu ser guardado
será que um errante pôr do sol procura
ou que pode iluminar esse tempo nublado
no meu ser
(...)
Sunday, June 05, 2011
Pulsar transparente
Monta um memorial dos ruídos insensatos, das atividades irrascíveis, e nota o pulsar do ciclo lascerante que conduz a vivência modernista! Que rompe a essência humana num víboro plissar de aneto, e a lâmina carcinal atinge a medula em atônitas partes, que na febre de não mais se entrecruzarem gritam por reconstituição, o martírio reluz em estandartes, arrepende, refaz, renova, aprisiona! A sombra dos ventos não mais se nota vibrante, o nascer do ímpetos se turva num racionamento de ânimo...! O pulsar da cor de sangue rubi se faz em salmão fugaz, num arrojo constante... E a transparência por instante e eterno se vê esvaecida, ah, os sonhos cinza-lilás! Tão persistentes que são, que vedam do prazer da agonia, dos padrões sórdidos, que depois assumem lucidez inusitada e vívida! Viva, adeus e sempre.
Thursday, February 24, 2011
Outra ode à anacreonte
Do sentimento, repulsa
um aroma suave
que vai sozinho no frio
ter a lira do mais belo santuário
Eu interrogo ao amor
em nome das cinzas do passado
terá secado na fonte
lido uma ode à anacreonte?
E por perder o calor
na solidão das águas
se refastela um desejo
de reprimir um beijo,
por troca, doces árias
Revolto com jasmin
no cadre de ervas secas;
matutina a folha d'alva
perserverá a calma,
por assim, finito seja.
um aroma suave
que vai sozinho no frio
ter a lira do mais belo santuário
Eu interrogo ao amor
em nome das cinzas do passado
terá secado na fonte
lido uma ode à anacreonte?
E por perder o calor
na solidão das águas
se refastela um desejo
de reprimir um beijo,
por troca, doces árias
Revolto com jasmin
no cadre de ervas secas;
matutina a folha d'alva
perserverá a calma,
por assim, finito seja.
Wednesday, February 09, 2011
Noite ressurge
Das cruas curvas que seguem em nós
um agouro se faz excedente: entre folhas, matizes, raízes quebradas
enfeitam o sol de raios poentes,
a criatura destoa às estrelas, na noite infiltrada.
Em trilha de passos, sorverá seu suor
Trêmula falange côla entrelaça as pernas, algures almagamadas
e o cálido suspiro enaltece dor,
impávido, súbito aos pulmões, intensa alvorada.
Em um caminho não conhece integridade
as folhas do vento lhes desviam a tés,
e quando pisam, tornam ao relento, orquestradas.
Por último um mártir, em primeiro um algoz
Se o vires à esquina, não comove na entrada
Porém se sangra, ao mundo refaz.
um agouro se faz excedente: entre folhas, matizes, raízes quebradas
enfeitam o sol de raios poentes,
a criatura destoa às estrelas, na noite infiltrada.
Em trilha de passos, sorverá seu suor
Trêmula falange côla entrelaça as pernas, algures almagamadas
e o cálido suspiro enaltece dor,
impávido, súbito aos pulmões, intensa alvorada.
Em um caminho não conhece integridade
as folhas do vento lhes desviam a tés,
e quando pisam, tornam ao relento, orquestradas.
Por último um mártir, em primeiro um algoz
Se o vires à esquina, não comove na entrada
Porém se sangra, ao mundo refaz.
Sunday, June 27, 2010
Tempo e apego
O sopro no vento dos pés não minga a doçura
do canto enredado infinito numa vereda escura
se sentado, de longe mal cultivo meu vinhedo
Atônito e fora do rumo, justifico meu apego.
Com o deslumbre de tempos vindouros matutei
o entrevero que nunca tive por hora iluminado
peito que já não empedra, então palpita e maceta
Tolhida leviana como me guarda, febrio numa gaveta.
Em novos bosques respiro, aliviado por instante
pois a casa, somente em casa a pele aceita
e acolhida em matizes alternos, resulta tonante
O tempo em desfavor não nega a desfeita
da sombra de dúvida no lívido semblante
o canto que anunciarei macio, quando ela se deita.
do canto enredado infinito numa vereda escura
se sentado, de longe mal cultivo meu vinhedo
Atônito e fora do rumo, justifico meu apego.
Com o deslumbre de tempos vindouros matutei
o entrevero que nunca tive por hora iluminado
peito que já não empedra, então palpita e maceta
Tolhida leviana como me guarda, febrio numa gaveta.
Em novos bosques respiro, aliviado por instante
pois a casa, somente em casa a pele aceita
e acolhida em matizes alternos, resulta tonante
O tempo em desfavor não nega a desfeita
da sombra de dúvida no lívido semblante
o canto que anunciarei macio, quando ela se deita.
Sunday, March 07, 2010
Ventaneio
Disse que teria o mais belo amor
de se ventanear ao pampa
de se encontrar sozinho no frio
Que seria emancipado
da torrencial corrente migratória
da procura do peito em candor
Mas que não se leve a mal
A amargura liberta e a cinza fria
Que a nuvem clara do dia ensoou
Tantas constantes cantigas, tardia.
Nos vales profundos um claustro abundante
fonte de terrenas primazias, que bela
a terra gélida, soberba! Um retrato, uma tela
Aspirações de um moço, guardadas n'estante.
de se ventanear ao pampa
de se encontrar sozinho no frio
Que seria emancipado
da torrencial corrente migratória
da procura do peito em candor
Mas que não se leve a mal
A amargura liberta e a cinza fria
Que a nuvem clara do dia ensoou
Tantas constantes cantigas, tardia.
Nos vales profundos um claustro abundante
fonte de terrenas primazias, que bela
a terra gélida, soberba! Um retrato, uma tela
Aspirações de um moço, guardadas n'estante.
Wednesday, December 23, 2009
Explique.
---
Num horizonte, lendas minhas
Projeção de solitude, o pranto não secou
Noite, vinho, afrescos de um encanto; ou
Uma dança de nove linhas.
Por onde a tarde caminhei (vencido)
As rusgas do corpo soltam pêlos brancos pelos dedos
Pela orla de cimento e fumo varrido,
Uma linha em três novelos
O vernáculo ressonante celebra o aviso
Pés descalços! Sintam aquilo que pisam
Do horto silvestre de um jardim conciso
No chão de madeira trepidam.
Consinto que debruçarei asneiras
Das novas provenças, um fracasso punjente!
Ao sumo liberto que necessito eternamente,
Sombreada cúpula de pitangueiras
---
Num horizonte, lendas minhas
Projeção de solitude, o pranto não secou
Noite, vinho, afrescos de um encanto; ou
Uma dança de nove linhas.
Por onde a tarde caminhei (vencido)
As rusgas do corpo soltam pêlos brancos pelos dedos
Pela orla de cimento e fumo varrido,
Uma linha em três novelos
O vernáculo ressonante celebra o aviso
Pés descalços! Sintam aquilo que pisam
Do horto silvestre de um jardim conciso
No chão de madeira trepidam.
Consinto que debruçarei asneiras
Das novas provenças, um fracasso punjente!
Ao sumo liberto que necessito eternamente,
Sombreada cúpula de pitangueiras
---
Mendrado
Vidro temperado a quebrar, véspera e seita
Dissolvo-me em rua estreita.
Fibra da madeira, intrínseca, a insatisfeita
Ululante sufocamento, em bosques azuis, maturo os sonhos do lar.
Feito liso em cara cêra do nobre Delgado
Posto-me firme em tal desfeita
Cerca de arame e mácula, oh velho Mendrado
A contragosto partiu suas vértebras; em agouro, o sangue infiltrado.
--
Do cálculo das linhas da morada, lia e valia
Um par de chinelas, arreios e pilão, escritos por extenso.
Meu velho, e se os arroios pecam por invalidez?
"Restou a tristeza, filho, e a barranca vencida".
Dissolvo-me em rua estreita.
Fibra da madeira, intrínseca, a insatisfeita
Ululante sufocamento, em bosques azuis, maturo os sonhos do lar.
Feito liso em cara cêra do nobre Delgado
Posto-me firme em tal desfeita
Cerca de arame e mácula, oh velho Mendrado
A contragosto partiu suas vértebras; em agouro, o sangue infiltrado.
--
Do cálculo das linhas da morada, lia e valia
Um par de chinelas, arreios e pilão, escritos por extenso.
Meu velho, e se os arroios pecam por invalidez?
"Restou a tristeza, filho, e a barranca vencida".
Tuesday, October 13, 2009
Em guarda
Que se coloque em guarda todas as criaturas sortidas
Facilitadores de espasmos, trabalhadores do abismo
Em cheque aguardam, os postados, no desterro afivelados
Munidos de uma pena e pedras disformes, de vez em vez.
Acham que suas curvas não se figuram mais em flor
Desfiguradas as matizes, as uniformidades declaram-se
Soberanas e plenas; Que dor! Postrou-se o mancebo
Soberano de vagas idéias, vestido de firmes anseios.
Facilitadores de espasmos, trabalhadores do abismo
Em cheque aguardam, os postados, no desterro afivelados
Munidos de uma pena e pedras disformes, de vez em vez.
Acham que suas curvas não se figuram mais em flor
Desfiguradas as matizes, as uniformidades declaram-se
Soberanas e plenas; Que dor! Postrou-se o mancebo
Soberano de vagas idéias, vestido de firmes anseios.
Wednesday, July 15, 2009
Ode ao embrulho moderno
I
Tive uma morena. Cabelo bruno. Esse era o solo. Uma planície que caberia na palma dessa mão, tal eu a conheci. Uma história breve de ser contada, num longo tempo vagamente vencido. Cogumelo roto que represento, brotou daquele ano, regado pela chuva que salpicou o local do abraço, em abrigo. Poucas vezes vira seu rosto, muitas outras quis. A prisão da tela branca ao devaneio, sem mentiras e com extremo esforço, uma junção se fez súbita, espontânea e perfeitamente autêntica, não fosse a falha cognitiva. Não havia o que se queria. Não adiantaria a procura. Havia sim, a espera. A esperança se construiu pela vontade, e num paradoxo, se desfez sem sua criação.
III
Pardo alvedo, bruno em bruno, duro, em prumo
Leve meu levêdo, puro ou azedo, têso em grumo.
Sartre sabia, não haverá mais lugar, calor e fumo
À tocaia do vento, ventre em desespêro, desarrûmo.
IV
Hora passa e vento foge, queres meu relógio? Canso de contaminar-me, prego aos arroios, riso a volúpia. Um matrimônio enfanto, em linha torta.
Brisa mecânica, queres me degustar? Sou quente e tenho sabor delicado. Encherias tua bôca de areia por mim? Queres o satâ envolto em sêda branca, apregoado de belos liláses e dobras envaidecidas. Assim canta ele os mais doces meles em menção maldiva, derrama açúcar refinado em tuas bochechas, com amor.
V
Uma dança de nove linhas
Uma linha em três novelos.
No chão de madeira trepidam
Sombreada cúpula de pitangueiras.
Vede ao avesso, verso o creme. Breu amigo de todos, amigo do turba, do muão, da luna e do lucão. Bruno chamuscando na neve, picolé de farofa, sem banana. Vê dois pastéis e um chopp. Vê dois chopps e um pastel. Vê três cremes e um paletó, para a corrida. Asfalto perene ingrato, faz do meu dia uma corrida, minha manhã torta e vencida, flutuei em ti, sonho irrisório.
IITive uma morena. Cabelo bruno. Esse era o solo. Uma planície que caberia na palma dessa mão, tal eu a conheci. Uma história breve de ser contada, num longo tempo vagamente vencido. Cogumelo roto que represento, brotou daquele ano, regado pela chuva que salpicou o local do abraço, em abrigo. Poucas vezes vira seu rosto, muitas outras quis. A prisão da tela branca ao devaneio, sem mentiras e com extremo esforço, uma junção se fez súbita, espontânea e perfeitamente autêntica, não fosse a falha cognitiva. Não havia o que se queria. Não adiantaria a procura. Havia sim, a espera. A esperança se construiu pela vontade, e num paradoxo, se desfez sem sua criação.
III
Pardo alvedo, bruno em bruno, duro, em prumo
Leve meu levêdo, puro ou azedo, têso em grumo.
Sartre sabia, não haverá mais lugar, calor e fumo
À tocaia do vento, ventre em desespêro, desarrûmo.
IV
Hora passa e vento foge, queres meu relógio? Canso de contaminar-me, prego aos arroios, riso a volúpia. Um matrimônio enfanto, em linha torta.
Brisa mecânica, queres me degustar? Sou quente e tenho sabor delicado. Encherias tua bôca de areia por mim? Queres o satâ envolto em sêda branca, apregoado de belos liláses e dobras envaidecidas. Assim canta ele os mais doces meles em menção maldiva, derrama açúcar refinado em tuas bochechas, com amor.
V
Uma dança de nove linhas
Uma linha em três novelos.
No chão de madeira trepidam
Sombreada cúpula de pitangueiras.
Saturday, August 23, 2008
Em trincheiras
E o soldado não via mais que turvas faces em fracas matizes, delineando os movimentos. Inter-relacionados, estes assomavam em respaldo ao ricochete pulsante de suas retinas, que já não distinguiam profundidade ou assombro. Diria ele que lembrar é
impossível, como se leva em conta o tempo antes do trauma, como se diz daquele que arde em movimentos impulsivos. Com o dedo maior sobreposto ao indicador, incursionou-os ao bolso em fibras intrincadas, no que vinha ao ar exposto um de seus papéis rasgados,
fielmente guardados no bolso esquerdo. Leu uma mensagem qualquer. Já a conhecia e repetia em pensamento, mas houve que de tanto devanear o sentido das sentenças, precisaria somente levar as letras aos olhos, não importando sua conjuntura. O candor habitual, e o fresco sopro de vento, ao amortecimento.
Anos depois, diriam pelas ruínas sobre o homem que em trincheiras escreveu uma soma de cartas e conquistou a mulher, a qual nunca pôde ver em plenitude.
impossível, como se leva em conta o tempo antes do trauma, como se diz daquele que arde em movimentos impulsivos. Com o dedo maior sobreposto ao indicador, incursionou-os ao bolso em fibras intrincadas, no que vinha ao ar exposto um de seus papéis rasgados,
fielmente guardados no bolso esquerdo. Leu uma mensagem qualquer. Já a conhecia e repetia em pensamento, mas houve que de tanto devanear o sentido das sentenças, precisaria somente levar as letras aos olhos, não importando sua conjuntura. O candor habitual, e o fresco sopro de vento, ao amortecimento.
Anos depois, diriam pelas ruínas sobre o homem que em trincheiras escreveu uma soma de cartas e conquistou a mulher, a qual nunca pôde ver em plenitude.