Tuesday, June 05, 2012

brilhabandeja

ferida que não se vale a pena chocar
e torná-la escarro de tons laranja
que por isso ensejas
sua ama de leite, o vinho trazido em brilhabandeja

tendo visto a chama do desejo brilhar
por carros e avenidas é um castelo guardado
são plumas de campos sob o teto imaginário
de um berço de ninar.

Nem o suplício de um aborto
pôs o chão em seu lugar
afetado por esferas de equilíbrio
ludibriando partículas de ar,
que percorrem, lúgubres
o brilho opaco da viga cinza
E que se minta que malogrado não é
o avanço do super homem homídeo.

Friday, June 01, 2012

Detenção.


A insistente contemplação dos impulsos em se entreter jubilamente, com os prazeres dos sentidos e dos sentidos das pessoas, conduz ao caos do vazio, aonde não se é permitido começar do zero. Assim, acordo em meu 'concretanedo' decorado, e logo que tenho os ouvidos arrombados pelo implícito roncar dos motores lá fora, que impoem a mensagem clara: Seja um Lustre morto! Seja um lustre morto. Então o companheiro de sala e cozinha, assim que acordado, respira tal como eles em seu falso contentamento, descompassado, dando o combustível à medida que lhe pede o seu ímpeto lascivo. A sua mente, para se contentar, finge normalidade. Brilha em seu entorno e se avoluma em meu pesar, o descarrilhamento do formar-se $, e do formar-se $ será formado homem e não o vice-versa? Quando se explicam, ensejam a independência paterna, porém esquecem que estarão no raso berço do mundo vulgar. E quando seus pais ficarem doentes (pelas chagas que permitiram infiltração), olharão no fundo de seus olhos, o único e puro repositório do espelho à vida inocente e perceberão, na curva da vida sem retorno, a arrogância eternizada. À estes tipos detenho os risos pois à eles não são verossímeis; ao seu lado, o que me deixa forte é o mesmo que por hora me desproteje, por isso vacilo. Alguns perdoarão aos artistas da elite, que cedem tudo de si, por denotarem que de tudo têm (mal sabendo que os vestem de fantoches de um mundo além). A culpa é nenhuma, porém a incidência é total, fazendo ao homem comum o esmorecimento. Quem será o primeiro, a lembrar, no brado contíguo:  "Pois aqui também temos nossas luzes, no limiar do caos ardente!" ?

Trave-seio


Não há paixão, não há vigilância terrena que resista aos afagos do júbilo perene. Seus modestos seios, eles então serão em vão. Também serão os beijos e os anseios. Do modo que lhe vai hoje, é cabível que à uma fagulha de chama não dê o menor valor, pois todas são dispostas de fábricas de fagulhas de chama. Assim como temos fábricas de amor. Portanto, do que vale um beijo que lhe cai na trave da boca, se somente deseja que se amplie a frequencia do teu esperma, do seio dela derramado? O modesto seio, que por sinal, belo, querer-se-á grande, para abarcar toda a amargura do sentir mulher.

Sunday, March 18, 2012

Escondam as estatuetas.

Por milhoes de léguas em mares estranhos
qual será o tamanho, do saturno de isopor?
das veias internas expostas e esticadas,
um martírio indolor, os relevos se aglutinam
feito pedras em um aquário, para reter
na curta distância entre dois pontos ambíguos
um martirismo do desgosto, fortuna esboroada,
um paquiderme destelhando o santuário
da cracatua desgastada.

Carlos, Quando se Mata

Acho que assim ficareicalmo, puro e repleto, quando você vem

Só não sei quem vai ser você
E se as madrugadas anunciarão o teu sinal

Do mesmo jeito que não saberei se o inverno vai chorar no meu final

Eu sigo amaciando a vida
para o que está em volta de mim não te assustar
Eu sigo querendo apagar os postes
noturnos para quando você chegar

Porque não dá para enganar a noite
Assim, também não tenho como diminuir a lua cheia
só para que ela esteja cheia em toda vez que no meu lado você caminhar

Sunday, October 09, 2011

No peito de bronze que davos encerra
pulpitam varões, carro e bigorna
vapores de carne, suor da terra
iluminam a força em movimento;
falanges de equos por caules vibrantes;
peitos arfantes, na volcúria a garganta emoliente
na rocha polida, reflete uma estrela cadente.

Nesta laje uma mão antiga passou
deixou suas arfas, do solstício que refaz


Assim, arqueio os ventos que me caem
forjo uma mandala e cerro os olhos
que vivo, de uma outra arte

Monday, October 03, 2011

caminhar é luz
antes fosse o destino mais belo
traçado por elo que se desfez

Lá fora o vento que batia aqui não seria em vão
e o versos teus que eu queria
e não sairam, por um acaso do coração.

Saturday, September 03, 2011

À massambu

O visgo do labor se assossega
Enquanto o peso da Lua se encarrega
De suprir aos jarros dos homens
Pedra, calor e fogo intenso
Amomento em pensamento
Que à esta hora, nos açores
Se haveriam preparado as cores
Da safra primaveril
Da sede dos pescadores
Do movimento febril; o matrimônio vil

Da noite que não anoitece

Do espírito que encaranga e se arrefece

Por ventura dos ventos, findo o inverno
Vejo-te: consterna tua saga
E ainda, traze o lamúrio em cesto
A massambu, ao colo materno.

Tuesday, August 30, 2011

Sem pestanejar

- Me parece mais que histórias se escrevem à noite - Conjurou aos céus seus sentidos, e seguiu amalgamado pelo decorrer do fim da manhã. Antônho já havia se habituado com o frescor do ar que habitava a ilha, mas aos anos passados o respirara indolente; deixando aprover seu vigor, no entanto sem conceder os créditos emotivos que se suscederiam à uma criatura sensível.
- A paisagem na janela é sempre a mesma. No entanto é mais lúcida que a alvura emitida pela tela binária, que aqui se desdobra feito o baú de pandora, sorrateando na mesa seca. - E assim o desacortina, erguendo a lâmpada quadrada que lira e vozeia solene, e que endossa ao corpo; como sabre que entra pelo ventre até que atinge o dorso espinhal. Ali, uma comoção renitente sucede, que contagiosa, evoca o ritmo dos pulmões, engendrando à coluna enquanto arco tensionado e prestes a romper. Então nos olhos os temores se aglutinam, à feição transformada, que ali se extendem e amortizam em profundo, estando sem saber, se focam firmemente ou se pulsam descabidos, sem conseguir retribuir com o lampejo dos ares da luz que o intumecem por detrás. Apagam, sem pestanejar.

Sunday, August 21, 2011

ode ao incansável lume

(...)
Se derivas ao adorno, ah te conto
que as pedras que contorno
os merlúrios que atiro
os mócios que vi
Nenhum deles tenho feito

Que por mais que, em todos a neopápiros catalogue e,
os tenha mesmo direito em valia,
Não faz a ode da lembrança o sufrágio do escape que enjeita.

SOU ALASTOR, O IMATURO

prevarico os desarranjos do amor
leio os sujeitos incertos, cortejo as pedras do futuro.

em ardor recorrente, remonto a cinza crescente, de forma qu'as eleve o despudor austero.
no entanto sou leve, sou simples, sou sincero.

SOU AMARILDO, O SAGAZ

nomeio todos os dentes, se mastigação leve o faz
devoto os passos ao vento, e por mais que tento

não sigo o enleio da neblina, por meu próprio sopro, a sina se desacortina
porém me enfastio facilmente, não há doçura neste estoicismo sovina.

SOU LÚCIO, O DESERTOR

Se aos nobres o suor não convém
e sem púlpito mordaz o alimento tem
não enseja em bocanha ao sargoroso linguado
menos ainda enlameia as unhas em pulsar sertanejo

Então que à Lua se façam!
pois do sargaço mais tosco as dobraduras traçam
e da levedura do fermento portenho o desenho tenham;

Que todas as gavetas da academia os levem ao céu!
(por entre pratos de agarose e louças de papel)

E que lá recriem, na sagrada exatidão em altar renitente;
pois que aqui os cálculos já existem, no limiar do caos ardente.

Se rejeitam a côr preta e instrumentalizam a arte
por amor aos aviões, destinem-se à Marte!


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Se não tens a fortuna nem o bilhete,
     então escreva no bordo do teu livro sagrado,
          que não te esqueça de vencer a paz, pelo teu número sorteado.

Thursday, August 18, 2011

O óleo da terra embalsamou minhas botas
Sigo em passo firme, não há vento que me dói
Conjuro cores, nomeio o sentido em fervor crescente
Cerne que matura, em madeira que cupim não rói


Saturday, July 16, 2011

Aceito as forças da natureza que guiam meus caminhos; Expresso a vontade do grande espírito em minha jornada; Revelo a pureza de minha alma nas trilhas de meu dia; Me uno aos espíritos da floresta e aceito seus sábios conselhos; Acolho a voz de meus ancestrais e aprendo a ouvir meu coração; Caminho com coragem e supero minhas provações; Confio na luz e me entrego ao amor.

canto xamã

Sunday, June 19, 2011

Seresta do alto mar

(no feminino)

o samba balança em frequecia
cálido poente vapor, alto mar
em meu coração nu, ausente
as folhas caem, molham, ardem como nunca

e nessa rotina de enfado
encaderno sonhos em papel listrado
pra entender que vem do sol poente
uma maneira de munir meu sangue, vermelho

em meus semblantes passa nuvem, passa gente
no canto dos olhos vejo teu ser guardado
será que um errante pôr do sol procura
ou que pode iluminar esse tempo nublado
no meu ser

(...)

Sunday, June 05, 2011

Pulsar transparente

Monta um memorial dos ruídos insensatos, das atividades irrascíveis, e nota o pulsar do ciclo lascerante que conduz a vivência modernista! Que rompe a essência humana num víboro plissar de aneto, e a lâmina carcinal atinge a medula em atônitas partes, que na febre de não mais se entrecruzarem gritam por reconstituição, o martírio reluz em estandartes, arrepende, refaz, renova, aprisiona! A sombra dos ventos não mais se nota vibrante, o nascer do ímpetos se turva num racionamento de ânimo...! O pulsar da cor de sangue rubi se faz em salmão fugaz, num arrojo constante... E a transparência por instante e eterno se vê esvaecida, ah, os sonhos cinza-lilás! Tão persistentes que são, que vedam do prazer da agonia, dos padrões sórdidos, que depois assumem lucidez inusitada e vívida! Viva, adeus e sempre.

Thursday, February 24, 2011

Outra ode à anacreonte

Do sentimento, repulsa
um aroma suave
que vai sozinho no frio
ter a lira do mais belo santuário

Eu interrogo ao amor
em nome das cinzas do passado
terá secado na fonte
lido uma ode à anacreonte?

E por perder o calor
na solidão das águas
se refastela um desejo
de reprimir um beijo,
       por troca, doces árias

Revolto com jasmin
no cadre de ervas secas;
matutina a folha d'alva
perserverá a calma,
       por assim, finito seja.

Wednesday, February 09, 2011

Noite ressurge

Das cruas curvas que seguem em nós
um agouro se faz excedente: entre folhas, matizes, raízes quebradas
enfeitam o sol de raios poentes,
a criatura destoa às estrelas, na noite infiltrada.

Em trilha de passos, sorverá seu suor
Trêmula falange côla entrelaça as pernas, algures almagamadas
e o cálido suspiro enaltece dor,
impávido, súbito aos pulmões, intensa alvorada.

Em um caminho não conhece integridade
as folhas do vento lhes desviam a tés,
e quando pisam, tornam ao relento, orquestradas.

Por último um mártir, em primeiro um algoz
Se o vires à esquina, não comove na entrada
Porém se sangra, ao mundo refaz.

Sunday, June 27, 2010

Tempo e apego

O sopro no vento dos pés não minga a doçura
do canto enredado infinito numa vereda escura
se sentado, de longe mal cultivo meu vinhedo
Atônito e fora do rumo, justifico meu apego.

Com o deslumbre de tempos vindouros matutei
o entrevero que nunca tive por hora iluminado
peito que já não empedra, então palpita e maceta
Tolhida leviana como me guarda, febrio numa gaveta.


Em novos bosques respiro, aliviado por instante
pois a casa, somente em casa a pele aceita
e acolhida em matizes alternos, resulta tonante

O tempo em desfavor não nega a desfeita
da sombra de dúvida no lívido semblante
o canto que anunciarei macio, quando ela se deita.

Sunday, March 07, 2010

Ventaneio

Disse que teria o mais belo amor
de se ventanear ao pampa
de se encontrar sozinho no frio

Que seria emancipado
da torrencial corrente migratória
da procura do peito em candor

Mas que não se leve a mal
A amargura liberta e a cinza fria
Que a nuvem clara do dia ensoou
Tantas constantes cantigas, tardia.

Nos vales profundos um claustro abundante
fonte de terrenas primazias, que bela
a terra gélida, soberba! Um retrato, uma tela
Aspirações de um moço, guardadas n'estante.

Wednesday, December 23, 2009

Explique.

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Num horizonte, lendas minhas
Projeção de solitude, o pranto não secou
Noite, vinho, afrescos de um encanto; ou
Uma dança de nove linhas.

Por onde a tarde caminhei (vencido)
As rusgas do corpo soltam pêlos brancos pelos dedos
Pela orla de cimento e fumo varrido,
Uma linha em três novelos

O vernáculo ressonante celebra o aviso
Pés descalços! Sintam aquilo que pisam
Do horto silvestre de um jardim conciso
No chão de madeira trepidam.

Consinto que debruçarei asneiras
Das novas provenças, um fracasso punjente!
Ao sumo liberto que necessito eternamente,
Sombreada cúpula de pitangueiras

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Mendrado

Vidro temperado a quebrar, véspera e seita
Dissolvo-me em rua estreita.

Fibra da madeira, intrínseca, a insatisfeita
Ululante sufocamento, em bosques azuis, maturo os sonhos do lar.

Feito liso em cara cêra do nobre Delgado
Posto-me firme em tal desfeita

Cerca de arame e mácula, oh velho Mendrado
A contragosto partiu suas vértebras; em agouro, o sangue infiltrado.

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Do cálculo das linhas da morada, lia e valia
Um par de chinelas, arreios e pilão, escritos por extenso.
Meu velho, e se os arroios pecam por invalidez?
"Restou a tristeza, filho, e a barranca vencida".